Energia, gênero e justiça: estudos apontam a importância de ações da Revolusolar para equidade

08/03/2026

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Energia, gênero e justiça: estudos apontam a importância de ações da Revolusolar para equidade 

No Dia Internacional da Mulher, ressaltamos a importância de transição energética e capacitações para mulheres negras de baixa renda 

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Mulheres negras de baixa renda pagam até oito vezes mais pelo consumo de energia elétrica do que homens brancos de alta renda, em termos proporcionais, é o que aponta o estudo “Energia e interseccionalidade: o impacto das tarifas de energia elétrica no orçamento das famílias brasileiras”, elaborado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). 

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, nos relembra que a transição energética não é apenas uma mudança tecnológica, é, sobretudo, uma mudança social. Quando olhamos para os dados com atenção, percebemos que o modelo atual do setor elétrico brasileiro reforça desigualdades históricas de raça, gênero e renda.

O levantamento do Inesc analisou o impacto das tarifas, especialmente em cenários de bandeira vermelha, sobre diferentes perfis de famílias brasileiras, considerando renda, gênero e raça da pessoa responsável pelo domicílio. Em cenários de bandeira vermelha, famílias chefiadas por mulheres negras destinam cerca de 13% da renda mensal apenas para pagar a conta de luz. 

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Quem tem menos, paga mais

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O levantamento aponta que mulheres negras de baixa renda têm renda per capita média de cerca de R$309, e ainda assim destinam, em média, 11,57% da renda total à energia elétrica.

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Mesmo com menor consumo absoluto de energia, as famílias mais vulneráveis pagam proporcionalmente mais. Isso significa que quanto menor a renda, maior o peso da energia no orçamento, e essa desigualdade é ainda mais profunda quando atravessada por raça e gênero.

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Historicamente as mulheres são responsáveis pela maior parte dos cuidados com a família e das tarefas domésticas, tendo que muitas vezes  enfrentar uma dupla jornada e  ao mesmo tempo assumindo uma responsabilidade maior pela gestão da energia doméstica. Famílias chefiadas por mulheres negras de baixa renda frequentemente: Moram em territórios com infraestrutura precária; têm menor acesso a crédito; não conseguem investir em tecnologias de eficiência energética que reduzam a conta de luz; e precisam escolher entre pagar energia e cobrir outras necessidades básicas. Isso é o que chamamos de injustiça energética.

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Se a energia elétrica convencional pesa mais justamente para quem tem menos renda, então a transição energética precisa ser pensada como instrumento de redistribuição e equidade. A energia solar, quando implementada de forma comunitária e inclusiva, pode: Reduzir o custo da energia para famílias vulneráveis; democratizar o acesso à geração distribuída; criar oportunidades de formação e trabalho para mulheres e jovens periféricos; e promover autonomia energética nos territórios.

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Diante desse cenário, o estudo do Inesc não fala apenas de tarifas, ele nos convida a pensar quem ocupa os espaços de decisão e de inovação no setor energético. Se mulheres negras de baixa renda são as mais impactadas pela estrutura tarifária, elas também precisam estar no centro das soluções: Na formação técnica em energia solar; na gestão de projetos comunitários; na formulação de políticas públicas; na liderança de cooperativas e iniciativas locais.

O que fazemos para mudar este cenário?

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Iniciativas comunitárias têm mostrado que é possível construir caminhos mais inclusivos para a transição energética. Na Revolusolar, por exemplo, 50% das vagas dos cursos de capacitação são destinadas a mulheres. Atualmente, elas representam 29,2% das pessoas formadas pela organização, quase o dobro da média internacional no setor energético, que é de 15%, segundo o relatório World Energy Employment 2023.

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A metodologia da Revolusolar busca fortalecer o protagonismo das mulheres nos próprios territórios onde os sistemas solares são instalados. Ao capacitar moradoras das comunidades em instalação e manutenção de sistemas fotovoltaicos, a iniciativa promove autonomia técnica, geração de renda e participação ativa na construção de soluções energéticas locais.

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Mais do que instalar painéis solares, a proposta é construir uma transição energética justa, inclusiva e popular, em que as mulheres, especialmente aquelas historicamente excluídas das oportunidades do setor, possam ocupar um papel central na transformação do sistema energético.

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