Revolusolar participa da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis
Realizada em Santa Marta, na Colômbia, entre os dias 24 a 29 de abril, o evento é um dos primeiros espaços multilaterais de articulação após a COP 30 que reúne governos, cientistas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e especialistas para avançar na implementação de ações concretas para eliminar os combustíveis fósseis.
A realização da COP 30, em novembro de 2025, terminou com um resultado que frustrou parte significativa dos países participantes: o texto final das negociações não definiu metas explícitas de eliminação total de combustíveis fósseis nos seus textos finais. No entanto, esse cenário gerou um momento histórico: mais de 80 países defenderam abertamente a necessidade de um roteiro global para a transição, e o presidente da COP 30, André Corrêa do Lago, anunciou que a presidência brasileira desenvolveria, fora do processo formal de negociação, um “Roadmap” (Mapa do Caminho) sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis no Brasil.
Ainda durante a COP 30, a Colômbia e a Holanda anunciaram que co-sediariam a 1° Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em resposta direta ao silêncio do texto final da COP. A escolha de Santa Marta como sede não é casual: a cidade portuária colombiana tem um papel histórico nas exportações de carvão, carregando em si, a mesma contradição que a conferência busca enfrentar. Nesse contexto, diversos governos de países, cientistas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e movimentos sociais se reúnem para discutir e elaborar documentos com propostas concretas para avançar essa agenda global.
Como parte da sua participação, a Revolusolar produziu três documentos técnicos com propostas e recomendações formais para o processo internacional de construção do roteiro global de transição.
O primeiro documento foi a contribuição formal da Revolusolar ao Roadmap sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em processo de consulta pública feito pela presidência brasileira da COP 30. O documento responde diretamente às questões estruturantes do roteiro - barreiras à transição, alavancas de aceleração, experiências de referência (como as da própria Revolusolar, evidenciando que é possível combinar descarbonização com inclusão de populações vulneráveis) e equidade entre países - e defende que o roadmap reconheça a energia comunitária como instrumento fundamental de transição justa e inclusiva.
O segundo documento reúne propostas para a Cúpula dos Povos (People's Summit), espaço da sociedade civil na agenda climática global, com foco em garantir que as vozes da sociedade e comunidades diretamente afetadas estejam presentes e representadas nas discussões globais.
O terceiro foi uma contribuição oficial no processo de consulta e construção conjunta com o governo colombiano. O documento promete integrar as posições das organizações participantes à um documento de Estado, experiência que ilustra exatamente o tipo de construção que a Revolusolar defende: não apenas consulta, mas construção compartilhada de soluções.
Durante a conferência, a Revolusolar também está distribuindo uma one page estratégica que sintetiza as propostas elaboradas, traduzindo recomendações técnicas em prioridades objetivas para o debate internacional.
"O debate saiu do 'se' e chegou ao 'como'. E é exatamente nesse ponto que a Revolusolar tem muito a contribuir, temos uma década de experiência demonstrando, na prática, que é possível fazer uma transição energética justa e inclusiva." - Graziella Albuquerque, Diretora de Relações Institucionais e Governamentais da Revolusolar.
A mensagem que a organização traz a Santa Marta parte de uma experiência direta, sustentada por uma década de atuação em territórios vulneráveis no Brasil: não é possível avançar na transição energética sem colocar no centro as pessoas e comunidades mais afetadas pela crise climática. Sem isso, a transição continuará reproduzindo exclusões, e não resolverá o problema em sua raiz. O mundo já enfrenta os efeitos dessa crise, e são essas populações que os sentem de forma mais intensa e imediata. As novas soluções precisam ser pensadas COM e PARA essas comunidades.
Energia Comunitária como instrumento da transição justa
Embora as tecnologias de energia renovável estejam se expandindo rapidamente, milhões de pessoas ainda vivem em situação de pobreza energética, seja por falta de acesso, qualidade ou por gastarem uma parcela significativa de sua renda com eletricidad. No Brasil, famílias de baixa renda comprometem até 18% de sua renda mensal com gastos de energia, evidenciando que a expansão de fontes renováveis, por si só, não garante justiça energética.
Nesse contexto, a Revolusolar defende que modelos de energia comunitária, como cooperativas solares e iniciativas de geração descentralizada em territórios populares, devem ser reconhecidos como instrumentos estratégicos para viabilizar uma transição energética justa.
Isso implica tratar o acesso à energia como um direito, garantir o protagonismo das comunidades e assegurar que os benefícios da transição sejam distribuídos de forma equitativa.
O debate que se abre após a COP 30 não é mais sobre metas, mas sobre escolhas. E, nesse cenário, iniciativas como a da Revolusolar indicam um caminho possível: aquele em que a transição energética não apenas reduz emissões, mas também enfrenta desigualdades históricas.
Para saber mais, acesse o nosso Roadmap completo, clicando aqui, ou nossa onepage, clicando aqui.

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