Dia de Proteção às Florestas: a transição energética também precisa preservar a biodiversidade

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Dia de Proteção às Florestas: a transição energética também precisa preservar a biodiversidade

O Dia de Proteção às Florestas (17/07) nos convida a refletirmos sobre a importância dos ecossistemas florestais para a regulação do clima, a conservação da biodiversidade, a segurança hídrica e a qualidade de vida das populações. Em um contexto de mudanças climáticas cada vez mais intensas, proteger as florestas também significa fortalecer as estratégias de adaptação e mitigação dos impactos ambientais. 

Nesse cenário, a expansão das energias renováveis é indispensável para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e acelerar a descarbonização da economia. No entanto, a urgência da transição energética justa não elimina a necessidade de planejamento ambiental. Ao contrário, ela exige que novos empreendimentos sejam desenvolvidos de forma responsável, conciliando geração de energia, conservação da natureza e respeito aos territórios.

Foi justamente com esse objetivo que a Revolusolar colaborou na construção do Estudo “Salvaguardas Socioambientais para Energia Solar Fotovoltaica Centralizada”. Publicado em setembro de 2025 e liderado pela Revolusolar, a pesquisa foi elaborada coletivamente por organizações da sociedade civil, pesquisadores, movimentos sociais e comunidades diretamente impactadas por grandes empreendimentos solares. O documento reúne recomendações para fortalecer a implantação sustentável da energia fotovoltaica no Brasil.

A energia solar é uma das tecnologias mais importantes para enfrentar a crise climática. As próprias Salvaguardas destacam que a fonte reúne atributos ambientais, técnicos e econômicos que a tornam estratégica para a descarbonização global e que atualmente figura entre as fontes de eletricidade com crescimento mais acelerado no mundo.

Desafios e expansão

Entretanto, a expansão da geração centralizada também traz desafios quando ocorre sem planejamento territorial adequado. Segundo dados do MapBiomas apresentados nas Salvaguardas, quase 44,5% da área atualmente ocupada por usinas fotovoltaicas no Brasil correspondia anteriormente à vegetação savânica, um indicador de conversão de vegetação nativa identificado a partir de dados do MapBiomas. Esse dado evidencia que a transição energética precisa ser acompanhada de critérios capazes de evitar novos impactos sobre ecossistemas já pressionados.

A discussão não é sobre escolher entre energia renovável ou proteção ambiental. O desafio é garantir que ambas avancem juntas. As florestas desempenham funções essenciais para o equilíbrio climático: o ciclo hídrico, a conservação dos solos e a manutenção da biodiversidade. Também sustentam modos de vida de agricultores familiares, povos tradicionais, comunidades quilombolas, pescadores artesanais e diversas populações que dependem diretamente da integridade dos ecossistemas.

Por isso, o estudo das Salvaguardas defende que decisões sobre a localização de grandes usinas solares considerem não apenas aspectos técnicos e econômicos, mas também critérios ambientais, sociais e culturais.

Entre as principais recomendações estão:
  • priorizar áreas já degradadas ou antropizadas para novos empreendimentos;
  • exigir estudos aprofundados de alternativas locacionais antes do licenciamento;
  • evitar a supressão de vegetação nativa sempre que houver alternativas viáveis;
  • proteger corredores ecológicos e áreas prioritárias para conservação;
  • implantar programas permanentes de monitoramento da biodiversidade, com duração mínima de dez anos;
  • garantir a recuperação ambiental das áreas ao final da vida útil dos empreendimentos.

Essas medidas buscam reduzir riscos ambientais sem comprometer o crescimento da energia solar, fortalecendo um modelo de desenvolvimento mais equilibrado.

O documento também ressalta que uma transição energética justa depende da participação das comunidades locais, da transparência nos processos de licenciamento e da integração entre políticas públicas, planejamento territorial e conservação ambiental.

Essa abordagem amplia a compreensão sobre sustentabilidade. Não basta reduzir emissões de carbono: é preciso preservar os ecossistemas que garantem a estabilidade climática e proteger os direitos das populações que vivem nesses territórios.

No Dia de Proteção às Florestas, essa reflexão ganha ainda mais relevância. A construção de um futuro de baixo carbono depende tanto da expansão das energias renováveis quanto da conservação dos biomas brasileiros.

A experiência da Revolusolar na construção das “Salvaguardas Socioambientais para Energia Solar Fotovoltaica Centralizada”, aliada à sua atuação em energia solar comunitária em favelas e comunidades periféricas, reforça que desenvolvimento energético e proteção das florestas não são objetivos opostos. Quando orientada por planejamento, ciência, participação social e respeito à biodiversidade, a transição energética pode contribuir simultaneamente para o enfrentamento da crise climática e para a conservação dos ecossistemas que tornam essa transformação possível.