Luz, Sonho e Raiz: como o agrivoltaico pode fortalecer a agricultura familiar e ampliar a segurança alimentar

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Luz, Sonho e Raiz: como o agrivoltaico pode fortalecer a agricultura familiar e ampliar a segurança alimentar

Todo ano, mais de 20 mil mudas saem do viveiro da ALIAR, em Miracema do Tocantins, e viram hortaliças nas mesas de famílias em situação de vulnerabilidade. Para que isso aconteça, é preciso bombear água, irrigar, iluminar, manter o sistema rodando e, claro, pagar a conta de luz no fim do mês. Desde julho de 2026, boa parte dessa conta passou a ser paga pelo sol.

Esse é o projeto “Luz, Sonho e Raiz” da Revolusolar em parceria com a Associação para um Futuro Melhor (ALIAR) e apoio do Instituto EDP. A aposta é em uma tecnologia ainda pouco difundida no Brasil, mas com muito potencial de aplicação: o agrivoltaico. 

Presente no município desde 2012, a ALIAR desenvolve projetos voltados à educação, geração de renda, desenvolvimento comunitário e segurança alimentar. Atualmente, seu viveiro produz mais de 20 mil mudas por ano, distribuindo hortaliças para famílias em situação de vulnerabilidade social.

Agrivoltaico é colocar geração de energia e produção agrícola na mesma área, sem que uma atrapalhe a outra. Em vez de disputar o solo, painel e plantio dividem o espaço, se ajudam e multiplicam o uso do solo.

Os painéis solares fornecem sombra parcial para determinadas culturas, reduzindo a evaporação da água e protegendo as plantas contra temperaturas extremas. Ao mesmo tempo, a vegetação contribui para diminuir a temperatura ao redor dos módulos fotovoltaicos, favorecendo sua eficiência energética.

Essa abordagem permite melhor aproveitamento da terra, aumento da produtividade e redução dos impactos ambientais, tornando-se uma alternativa cada vez mais relevante para comunidades rurais e pequenos produtores.

Energia sustentável a serviço da produção agrícola

No projeto Luz, Sonho e Raiz, a tecnologia é aplicada no viveiro hidropônico da ALIAR por meio da instalação de um sistema de 4 kWp integrado à estrutura existente.

A energia produzida abastece equipamentos essenciais para o funcionamento do viveiro, como sistemas de irrigação, bombeamento de água, iluminação e demais processos produtivos.

Além da geração de eletricidade, o projeto contempla melhorias estruturais no viveiro, garantindo melhores condições para ampliar sua capacidade de produção e aumentar sua eficiência operacional.

O projeto foi estruturado para ir além da instalação dos painéis solares. Ao longo de 11 meses, também serão realizadas ações de capacitação técnica para lideranças locais, oficinas voltadas à comunidade e monitoramento dos impactos sociais, ambientais e econômicos da iniciativa.

Essa estratégia busca fortalecer a autonomia da comunidade, permitindo que moradores adquiram conhecimentos sobre operação e manutenção do sistema fotovoltaico e ampliem sua capacidade de replicar soluções sustentáveis no território.

A expectativa é que a iniciativa gere benefícios permanentes, estimulando a formação de mão de obra local, a difusão de tecnologias limpas e a construção de uma cultura voltada ao uso consciente dos recursos naturais.

Impactos esperados

Entre os principais resultados previstos estão:

-redução dos custos com energia elétrica da operação do viveiro;

-aumento da produção anual de mudas;

-maior eficiência no uso da infraestrutura agrícola;

-redução das emissões de gases de efeito estufa;

-fortalecimento da segurança alimentar;

-estímulo à geração de empregos verdes e ao desenvolvimento sustentável da comunidade.

Ao combinar energia renovável e agricultura, o projeto também contribui para aumentar a resiliência da produção diante das mudanças climáticas, reduzindo a vulnerabilidade das atividades agrícolas.

A iniciativa reúne diferentes organizações comprometidas com o desenvolvimento sustentável. A Revolusolar atua na coordenação técnica do projeto, enquanto a EDP financia sua implementação e a ALIAR disponibiliza sua experiência junto às comunidades de Miracema do Tocantins.

Com a implantação do sistema agrivoltaico, a expectativa é ampliar essa capacidade produtiva e transformar o espaço em uma referência para soluções sustentáveis que integrem produção agrícola, energia limpa e desenvolvimento social.

Projetos como o Luz, Sonho e Raiz demonstram que a transição energética pode gerar impactos muito além da redução das emissões de carbono. Quando combinada com inovação social, formação comunitária e fortalecimento da agricultura familiar, a energia solar torna-se uma ferramenta capaz de promover inclusão, aumentar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento local.

Ao integrar tecnologia, sustentabilidade e participação comunitária, a iniciativa reforça que o futuro da energia também passa pelo fortalecimento dos territórios e pela construção de soluções que respondam, simultaneamente, aos desafios climáticos, econômicos e sociais.